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Caci faz do Brasil referência mundial
em arte contemporânea

Centro de Arte Contemporânea Inhotim reúne um dos mais expressivos acervos do mundo e apresenta fusão única entre arte e paisagismo

A abertura do Caci – Centro de Arte Contemporânea Inhotim – coloca o Brasil em posição de destaque no circuito mundial de arte contemporânea. O museu é uma fusão única entre arte e paisagismo em uma propriedade com 300 mil m2 de jardins, parte deles projetados por Roberto Burle Marx, numa área total de 3 milhões de m2 de mata nativa. Trata-se da mais importante iniciativa artística no país, em termos institucionais, desde a criação do MASP por Assis Chateaubriand, em 1947. O Caci está localizado em Brumadinho, a 60 quilômetros de Belo Horizonte (MG). A abertura para visitantes está prevista para setembro de 2005, mas até lá o museu irá promover visitas monitoradas de alunos da rede pública da região.

O Caci nasce da iniciativa do colecionador Bernardo Paz de disponibilizar para o público um dos mais importantes acervos particulares de arte contemporânea. A coleção reúne cerca de 450 obras de artistas brasileiros como Cildo Meireles, Miguel Rio Branco, Tunga e Vik Muniz, e estrangeiros como Paul McCarthy, Dan Graham, Albert Oehlen, Olafur Eliasson e Zhang Huan. “A arte só faz sentido quando pode ser apreciada por todos. Não há razão para restringir o acesso à arte contemporânea a uns poucos colecionadores. Foi este propósito que norteou a criação do Caci”, afirma Bernardo Paz.

Os trabalhos dos brasileiros Tunga, Cildo Meireles e Miguel Rio Branco ganharam grandes exposições nesta exposição prévia. Tunga está representado em três diferentes prédios, sendo que True Rouge, uma grande instalação monocromática, ocupa um pavilhão inteiro. Cildo Meireles tem um pavilhão dedicado à sua obra, no qual foi montado, pela primeira vez no Brasil, a instalação Através.

Miguel Rio Branco tem sua obra representada pela instalação Gritos Surdos II (2002) e por uma grande seleção de suas fotografias. Vik Muniz, outro fotógrafo destacado com abrangência na coleção, comparece com três séries de imagens, incluindo Pictures of Earthworks: The Sarzedo Drawings, encomendado e produzido para a coleção.

Outros artistas, como Ernesto Neto, Jarbas Lopes e Iran do Espírito Santo dividem mais um grande prédio, sempre com salas individuais, representando a diversidade da produção brasileira contemporânea em escultura. A canadense Janet Cardiff está representada com a instalação sonora 40 Part Motet, no mesmo pavilhão. Os alemães Albert Oehlen e Franz Ackermann completam este pavilhão.

Uma exposição coletiva ocupa um prédio com obras de Rivane Neuenschwander, Marepe, Adriana Varejão, José Damasceno, Rirkrit Tiravanija, Cerith Wyn Evans, Rochele Costi, Rubens Mano, Valeska Soares e Sandra Cinto. Foca a arte no horizonte do cotidiano. Em uma sala separada, ao fundo, está montada a instalação CC5/Hendrix War (1973), da série Cosmococa, de Hélio Oiticica e Neville D’Almeida. Um jardim de esculturas conta com obras de Cildo Meireles, Dan Graham, Olafur Eliasson, José Damasceno, Tunga, Paul McCarthy, Zhang Huan, entre outros.

De acordo com Paulo Sérgio Duarte, curador geral da Fundação Bienal de Artes Visuais do Mercosul, o Caci é um exemplo de rara excelência. “A criação do museu une coragem e inteligência a serviço da arte”, afirma. Para o artista plástico Carlos Vergara, o Caci já representa um marco no mundo das artes nesse início de século. “A iniciativa de criar um museu como este é a concretização de um sonho para a arte brasileira”, diz.

Sobre Bernardo Paz

O empresário mineiro Bernardo Paz é o idealizador do CACI - Centro de Arte Contemporânea Inhotim. Começou sua coleção de arte contemporânea em 1998, com obras do Tunga, Cildo Meireles, Miguel Rio Branco e José Damasceno. Paz iniciou o curso de economia em Belo Horizonte mas trocou a sala de aula pela bolsa de valores, onde sua carreira profissional começou, no

início da década de 70. Posteriormente, migrou para o ramo da mineração. Casado, pai de cinco filhos, Bernardo Paz vive em Brumadinho e classifica-se como uma pessoa inquieta, em busca de arte.

Sobre os curadores

A curadoria da primeira exposição do Caci é composta por Ricardo Sardenberg, Rodrigo Moura e Jochen Volz. O norte-americano Allan Schwartzman atua como conselheiro curatorial permanente da coleção do Caci.

Ricardo Sardenberg é formado em História da Arte pela New York University e dirigiu por quatro anos a Zabriskie Gallery (NY). Trabalhou um ano na Pinacoteca de São Paulo e também foi diretor da Galeria Camargo Vilaça, por dois anos.

Jochen Volz é formado em História da Arte pela Ludwig-Maximilian University Munich e pela Humboldt-University Berlin. Trabalhou por quatro anos na galeria Neugerriemschneider, em Berlim. É curador do Portikus, em Frankfurt, desde 2001.

Allan Schwartzman é um dos fundadores New Museum, em Nova Iorque. Foi crítico de arte de várias publicações internacionais, como The New York Times e Artforum International. Atualmente trabalha como consultor para coleções particulares nos Estados Unidos, entre elas a Rachovisky Collection e a Marieluise Hessel Collection.

Rodrigo Moura é jornalista, crítico de arte e colaborador de diversas publicações nacionais e internacionais. Atualmente é curador do Museu da Pampulha, em Belo Horizonte.