PINHEIRO NETO E A AUI
Cristiano Kok ( AUI 67 – Engenharia)
Pesquisando os relatórios anuais de atividades
da AUI verificamos que o escritório Pinheiro
Neto – Advogados fora das poucas empresas brasileiras
a contribuir de forma regular com o programa da AUI.
Graças à apresentação de
uma das sócias do escritório Pinheiro
Neto – Célia Beatriz Padovan Pacheco –
resolvemos conversar com o Adv. José Martins
Pinheiro Neto sobre este apoio à AUI desde 1961.
Fomos recebidos na residência do casal Pinheiro-Rosa
Helena no dia 18 de maio de 2005. Aos 87 anos, lúcido,
com uma memória viva, Pinheiro emocionou-se quando
falamos sobre Mildred Sage. Perguntei-lhe sobre o que
o havia levado a financiar o programa e sua resposta
é parte de uma atitude de vida – “O
Brasil era uma merda, e precisávamos fazer alguma
coisa pelos mais jovens. E aquela mulher ( Sage) me
fascinou por sua energia e suas idéias”
. Conversamos sobre o processo de seleção,
as pessoas que haviam passado pelo programa e ocupavam
posições de destaque nos vários
campos no Brasil e sobre os resultados obtidos. Ficou
muito gratificado, e foi a primeira vez que percebeu
o alcance de um gesto de 40 anos passados. Falamos sobre
o Fuerstenthal, nosso selecionador maior. Disse-me que
eram amigos há mais de 20 anos, que o Sten e
a Margit freqüentavam a sua casa, mas que nunca
haviam conversado sobre a AUI. Dois pilares da AUI não
sabiam das atividades um do outro. Perguntei-lhe se
havia algum viés na seleção de
estudantes de esquerda para “convertê-los
ao capitalismo”, como era voz corrente na época.
Sua resposta foi enfática – “Absolutamente,
nunca houve qualquer conteúdo ideológico
no processo de seleção. Buscávamos
lideranças e talentos”. Voltamos nossa
conversa para o escritório Pinheiro Neto, e a
admiração que eu tinha pela revolução
que ele havia promovido no conceito da profissão
de advogado, “que deixou de ser de um único
profissional para se converter em um modelo em que seus
membros compartilhavam das mesmas responsabilidades
e desafios, tornando-se cúmplices de um único
sonho”. Isto aliado a conceitos de lealdade, respeito
ao cliente e intransigente honestidade. Respondeu-me
que “a vida valeu a pena, mas que honestidade
não pode ser adjetivada – é honestidade
e ponto”. Ao me despedir, pouco antes das 18 horas
(era o momento de seu whisky) agradeci o seu tempo a
mim dedicado. Como um cavalheiro inglês ( e foi
efetivamente tornado sir pela Rainha Elisabeth II da
Inglaterra) disse-me “o meu tempo não é
mais importante, mas agradeço pelo seu tempo”.
Recebi de Rosa Helena o livro J.M Pinheiro Neto –
O Advogado - de autoria de seu amigo Rodrigo Leal Rodrigues.
Ao lê-lo , vi, nas páginas 70 e 71 duas
menções à AUI. A primeira “Pinheiro
também era muito ativo em questões sociais.
Trabalhou como voluntário na Escola Britânica,
participou de reuniões da Associação
Universitária Interamericana e assumiu gratuitamente
diversas ações em nome de entidades filantrópicas.
A segunda é uma citação de Ary
Oswaldo Mattos Filho (AUI 64 – Direito) , ex companheiro
de escritório de Pinheiro Neto – “
Em outro momento, numa reunião da Associação
Universitária Interamericana, também o
encontrei de noite, dando orientações
de como organizar a Associação, quais
seriam os passos. Aquela era a Associação
que levava estudantes brasileiros para estudar nos Estados
Unidos”.
|