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PRÓS E CONTRAS À RELIGIÃO
A.H.Fuerstenthal

Todas as crenças têm ingredientes de ignorância. Isto as torna obstáculos do progresso humano, como os pensadores livres não hesitam em proclamar. Esses pensadores, entretanto, são portadores de certa irresponsabilidade social, uma vez que as crenças, especialmente as religiosas, são os únicos elementos capazes de manter as massas fora da anarquia.

Um ótimo exemplo é o antagonismo entre cristianismo e marxismo. O cristianismo, uma crença exemplar, promete ao povo suprimido uma salvação no Além. Esta crença anima os miseráveis a agüentar o seu mal-estar secular com relativa equanimidade, tendo em vista sua felicidade transcendental.

De outro lado, o marxismo, uma ideologia baseada em observações inteiramente empíricas, protesta contra a miséria do proletariado e provoca este a uma resistência revolucionária. O resultado são movimentos políticos, revoluções, formação de sindicatos, legislações trabalhistas, em suma, movimentações que, mesmo na sua forma pacífica, já levaram a dificuldades quase fatais das duas mais tradicionais empresas norte-americanas. O que, então, é mais inteligente no sentido da paz social, o cristianismo cheio de misticismo ou o marxismo repleto de estatística?

Infelizmente, como não só a História Medieval bem como a História Contemporânea mostra, crenças, quando entram em conflito, provocam movimentos sangrentos de controle quase impossível. O uso dos impulsos irracionais humanos, como aqueles da fé, pode ser inteligente, mas ele é perigoso. Lembra a famosa expressão “Goetheana”, em “O Aprendiz do Mágico”: “Os espíritos que chamei, como os afasto agora?”.

O destaque do homem na Natureza é ser racional. Existe uma tendência moderna de valorizar a emoção, a intuição, a revelação do Além, os arquétipos, a tendência mitológica do cérebro. Um belo dia a Humanidade terá que compreender que a única segurança do gênero humano jaz no esclarecimento, no cálculo e no esforço da previsão racional. Não são os erros de raciocínio que alimentam os grandes conflitos humanos e sim a invasão dos preconceitos, das paixões e dos egos descontrolados.

Na opinião deste autor, a miséria do mundo não provém de crueldades da Natureza e sim da irresponsabilidade humana no sentido da procriação sem preocupação com a educação e orientação racionais dos novos seres. Uma vez crescidas na ignorância, as massas sempre serão uma fonte de insegurança para a parte da população que quer produzir e viver em paz.